quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O sonho da águia



A emoção de voar começa com o medo de cair. A águia empurrou gentilmente os filhos para a beira do ninho. Seu coração trepidava com emoções conflitantes enquanto sentia a resistência deles. "Porque será que a emoção de voar precisa começar como o medo de cair?", pensou. Essa pergunta eterna ainda estava sem resposta para ela.
Como na tradição da espécie, seu ninho localizava-se no alto de uma saliência num rochedo escarpado. Abaixo havia somente o ar para suportar as asas de cada um de sues filhotes.
"Será possível que, dessa vez, não dará certo?", pensou. A despeito de seus medos, a águia sabia que era tempo. Sua missão materna estava praticamente terminada. Restava uma última tarefa: o empurrão. A águia reuniu coragem através de uma sabedoria milenar e inata. Enquanto seus filhos não descobrissem suas asas, não haveria objetivos em suas vidas. Enquanto não aprendessem a voar, não compreenderiam o privilégio de terem nascido águias. O empurrão era o maior presente que a águia-mãe tinha para lhes dar. Era seu supremo ato de amor.
E por isso, um a um, ela os empurrou, e eles voaram.

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